COLABORAÇÕES
Cilmar Machado

CHICO XAVIER

Chico Xavier morreu aos 92 anos. O médium mineiro teve uma parada cardíaca no dia 30 de junho de 2002, horas antes de o Brasil ganhar a Copa do Mundo de Futebol. Segundo os jornais de Uberaba, onde Chico residia, cerca de 120 mil pessoas foram ao seu enterro, formando uma fila de quatro quilômetros e com três horas de espera. Houve à época manifestações de autoridades, inclusive do então presidente Fernando Henrique que lamentou o falecimento daquele que foi por ele considerado ¨ um grande líder espiritual e uma figura querida e admirada pelo Brasil inteiro. 

Meu encontro com Chico Xavier foi quase que fortuito, embora significativo. Aconteceu nos idos de 1976, quando estava em Uberaba junto com uma Caravana de artistas da Walita, para quem eu apresentava shows pelo Brasil afora. Um pouco por curiosidade e mais pela insistência de alguns artistas ( Carmélia Alves, Wanderley Cardoso e Alvarenga e Ranchinho), fomos até a casa humilde do médium famoso que, apreciador do mundo artístico, manifestou desejo de conhecer e mesmo rever alguns dos ídolos musicais da época. Em lá chegando, fomos recebidos pelo filho adotivo de Chico que nos introduziu num modesto cômodo, onde o pai psicografava rodeado por alguns médiuns sentados à mesa. De formação católica, eu olhava com curiosidade tudo o que ali se passava e, desavisado, encostei-me à cadeira de um dos médiuns presentes. Imediatamente uma força estranha se apossou da parte direita de meu corpo como que a adormecê-lo totalmente. Assustado e sem dizer nada, retirei a mão da cadeira e tudo voltou ao normal. Repeti o procedimento e novamente aquela força estranha e envolvente tomou parte de meu corpo. Retirei definitivamente a mão, me afastei um pouco da cadeira e tudo se resolveu. Chico Xavier, concluindo a psicografia e exibindo uma de suas indefectíveis perucas, voltou-se para os artistas que o presentearam com um showzinho particular ao qual correspondeu com uma alegria simples, natural e quase infantil. Foi esse o meu primeiro e único encontro com o badalado médium de São Leopoldo.

Se vivo estivesse, Chico Xavier estaria hoje completando seu centenário de existência terrena. Talvez por isso, o lançamento do filme As vidas de Chico Xavier, previsto para estrear no próximo mês. Também a Globo está por lançar uma novela de caráter espírita em sua grade de programação. Tais lançamentos engrossam a chamada indústria Chico Xavier, com seus mais de 200 livros já publicados e mais de 20 CDs e DVDs de homenagens musicais, audiobooks e preces. Até Fábio Junior, de carona, fez uma música para Chico. Quem pensa que o médium de Uberaba ficou rico com seus livros engana-se totalmente.  Doou os direitos autorais às editoras espíritas que os publicavam e que mantinham obras assistenciais. Chico Xavier nem assinava seus livros cuja autoria tributava aos espíritos que os inspiravam, notadamente André Luiz e Emmanuel. Se tivesse ficado com os direitos autorais dos quase 300 mil livros que vendia anualmente, Chico perceberia o que hoje corresponderia a 2,1 milhões por ano.

Chico, infelizmente, não legou tamanha generosidade para seu filho adotivo Eurípedes Higino que, graças ao registro da patente da assinatura do pai, recebe hoje 10% do lucro de tudo o que é lançado com ela. Eurípedes tem ainda dois coelhos na cartola: antes de falecer, Chico deixou um código conhecido apenas por dois médiuns de sua confiança, para que seja identificado quando resolvesse mandar um alô do Além. E até agora, segundo Eurípedes isso não aconteceu, mas poderá surgir a qualquer momento...

cilmarmachado@yahoo.com.br

O radialista Cilmar Machado escreve toda
terça-feira neste espaço.

 

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