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A rodoviária de Lins tem se consolidado como um dos principais pontos de atenção para o poder público e as forças de segurança. O local, devido à facilidade de acesso e à localização estratégica, passou a concentrar andarilhos, moradores de rua e pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Além de terminal de transporte, a rodoviária e seu entorno funcionam, na prática, como um ponto de acolhimento. Entidades filantrópicas oferecem serviços básicos, como café da manhã, almoço e marmitas, o que contribui para a permanência desse público na região.
Essas ações, no entanto, muitas vezes ocorrem sem integração com o setor de assistência social do município. São iniciativas bem-intencionadas, mas realizadas de forma isolada, sem um planejamento conjunto que possibilite a recuperação dessas pessoas.
Trata-se de um cenário complexo e delicado. Há registros de pessoas em surto psicótico, aumento no número de usuários de drogas e crescimento contínuo da população em situação de rua.
A atuação da Guarda Civil Municipal (GCM), das Polícias Militar e Civil ocorre dentro dos limites legais, mas enfrenta dificuldades diante de uma realidade que envolve fatores sociais, de saúde pública e diretrizes nacionais. Pela legislação brasileira, o uso de drogas é tratado como uma questão de saúde pública, e não criminal. Já a internação involuntária segue critérios rigorosos, baseados na dignidade da pessoa humana.
Outro fator relevante é a política de desinstitucionalização psiquiátrica, que substituiu os antigos manicômios pelo atendimento em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Na prática, entretanto, a limitação estrutural desses serviços tem contribuído para que muitas pessoas permaneçam nas ruas, inclusive em situações de sofrimento mental intenso. A atuação do poder público também exige cautela.
Medidas mais restritivas podem gerar questionamentos por parte do Ministério Público, especialmente quando envolvem limitações de acesso a espaços públicos. Como estratégia, o município mantém um cadastro de pessoas em situação de rua, integrado aos sistemas da Secretaria Municipal de Segurança, auxiliando inclusive investigações das Polícias Civil e Militar.
Iniciativas de acolhimento social, como o Lar Bom Samaritano e a Clínica Terapêutica Emanuel, oferecem abrigo, alimentação e apoio. No entanto, essas estruturas exigem o cumprimento de regras, o que reduz a adesão de parte desse público, especialmente entre aqueles que buscam manter o uso de álcool e drogas. Como consequência, muitos permanecem no entorno da rodoviária, onde encontram apoio informal e menos restrições.
A concentração dessa população é mais intensa em regiões específicas, como áreas centrais, semáforos e feiras livres.
Moradores de bairros também relatam a ocorrência de pequenos furtos, sobretudo em bairros periféricos com menor cobertura de monitoramento. Marcelo Gomes, jornalista