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Durante a sessão ordinária da Câmara Municipal, realizada na segunda-feira, 1º de junho, o agente de saneamento básico e diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema), Halisson Carlos da Silva, utilizou a Tribuna Livre para apresentar uma avaliação dos quase dois anos da privatização da Sabesp e apontar preocupações relacionadas à prestação dos serviços de saneamento.
Precarização dos serviços
Segundo o sindicalista, a privatização da companhia, concretizada em julho de 2024, foi seguida por um processo de redução do quadro funcional e ampliação da terceirização. Ele afirmou que três Programas de Demissão Voluntária (PDVs) foram realizados desde então, resultando na saída de aproximadamente 5,8 mil funcionários de carreira. “Perdemos profissionais com conhecimento técnico acumulado ao longo de décadas. A promessa era de mais eficiência, mas o que estamos vendo é a precarização dos serviços”, declarou.
Halisson destacou que a terceirização também afeta os trabalhadores contratados pelas empresas prestadoras de serviços. Segundo ele, muitos atuam com salários menores, menos benefícios e enfrentam alta rotatividade, o que dificultaria a manutenção da qualidade técnica dos serviços. Como exemplo, citou um acidente ocorrido em Mairiporã que resultou na morte de um trabalhador terceirizado.
Ao abordar a situação em Lins, o sindicalista afirmou que episódios de água com coloração alterada foram registrados recentemente. Com 28 anos de atuação no município, ele disse que situações desse tipo eram incomuns anteriormente.
Relação com os consumidores piorou
Outro tema abordado foi o atendimento aos consumidores. De acordo com Halisson, famílias de baixa renda enfrentam mais dificuldades para negociar débitos e acessar alternativas de pagamento. Ele afirmou que, atualmente, as opções oferecidas se restringem ao cartão de crédito ou Pix. Para o sindicalista, a medida desconsidera a realidade econômica de grande parte da população, especialmente em um cenário em que muitas famílias já convivem com o endividamento. Segundo ele, a empresa reduziu o caráter social do atendimento que existia anteriormente, dificultando a busca por soluções para quem está com contas em atraso.
O representante do Sintaema também mencionou problemas registrados em outros municípios paulistas. Entre os exemplos citados estão interrupções no abastecimento em Presidente Prudente, onde moradores ficaram até três dias sem água, além de ocorrências em Fernandópolis e reclamações relacionadas à qualidade da água em Hortolândia, incluindo relatos de odor e coloração alterada.
Durante a discussão, vereadores manifestaram preocupação com o sistema de cobrança e atendimento. O vereador Damião Santos afirmou que o modelo precisa ser revisto por atingir principalmente a população mais vulnerável. Ele também chamou atenção para a composição das tarifas de água e esgoto, citando uma conta pessoal em que o consumo de água somava cerca de R$ 70, enquanto a cobrança de esgoto alcançava aproximadamente R$ 50. O parlamentar observou, ainda, que ações sociais anteriormente realizadas pela companhia foram reduzidas. “Cortaram saquinhos e copinhos para eventos da comunidade. Nem isso eles podem atender. Em vez de ajudar, acabam dificultando a situação das famílias”, afirmou.
Empresa perdeu conhecimento técnico acumulado
Segundo Halisson, cerca de 47% dos funcionários deixaram a companhia após os programas de desligamento. Ele argumentou que a substituição desses profissionais por empresas terceirizadas compromete a continuidade do conhecimento técnico necessário para a operação dos sistemas de abastecimento e saneamento.
Ao final de sua participação, Halisson cobrou maior atuação dos poderes Executivo e Legislativo na fiscalização da concessão e na exigência de melhorias na qualidade dos serviços prestados à população. Segundo ele, o aumento do valor de mercado da companhia após a privatização não tem sido acompanhado por avanços percebidos pelos consumidores.
Em tempo: caso a empresa deseje se manifestar a respeito, o Debate coloca-se à disposição.