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Santa Casa restringe atendimento a pacientes de quatro cidades que não custeiam o pronto-socorro. A partir de 1º de julho, casos classificados como de baixa complexidade serão encaminhados de volta aos municípios de origem

no dia 28 de junho de 2026 às 14:09
Atualizada em 28 de junho de 2026 às 14:15
- Dr. Marcelo Zellerhoff, dr. Cléverson Nogreira e Juliano Beltani (foto: Emerson Secco)

A Santa Casa de Lins anunciou que, a partir de 1º de julho, deixará de atender, no pronto-socorro, pacientes classificados como casos de baixa complexidade (cores verde e azul) provenientes dos municípios de Getulina, Uru, Promissão e Guaiçara. A medida foi confirmada pelo presidente do Conselho de Administração da instituição, Juliano Munhoz Beltani, durante entrevista coletiva concedida na última quinta-feira, 25.

Segundo ele, a decisão foi motivada pela falta de participação financeira desses municípios no custeio do pronto-socorro. De acordo com Beltani, Getulina e Uru não mantém contrato com a Santa Casa e, mesmo após reuniões com prefeitos e vereadores, não avançaram nas negociações. Promissão e Guaiçara mantêm convênio com a instituição, mas os valores repassados estão defasados, situação que ainda está sendo discutida entre as partes.

Pela nova regra, todos os pacientes continuarão passando pela classificação de risco. Aqueles enquadrados como vermelho e amarelo, que caracterizam urgência e emergência, ou encaminhados pelos hospitais de seus municípios, continuarão recebendo atendimento normalmente. Já os classificados como verde e azul, considerados casos de menor gravidade, serão orientados a retornar às unidades de saúde de seus respectivos municípios para atendimento. "O que estamos fazendo é cumprir a legislação. O Estado financia a Santa Casa para atender urgências e emergências. O atendimento básico é responsabilidade de cada município, que possui unidades de saúde, UBSs, pronto-atendimentos ou hospitais próprios", afirmou Beltani.

O presidente ressaltou que a medida não representa o fechamento das portas da Santa Casa, mas uma adequação à responsabilidade de cada município na assistência básica à população. Segundo ele, manter atendimentos que deveriam ser realizados nas redes municipais gera sobrecarga financeira e operacional para o hospital.

Sobrecarga no pronto-socorro

Durante a entrevista, Beltani destacou que cerca de 70% dos atendimentos realizados no pronto-socorro poderiam ser absorvidos pela atenção básica, especialmente em períodos de maior incidência de doenças respiratórias, quando a procura pelo hospital aumenta significativamente. "Somente em maio deste ano, o pronto-socorro da Santa Casa realizou 7.885 atendimentos, média de 254 pacientes por dia e cerca de 10 por hora. Apesar da elevada demanda, a unidade conta atualmente com apenas dois médicos de plantão para atender todo esse fluxo. ´É um volume humanamente impossível de ser absorvido com a qualidade, a dignidade e a segurança clínica que a população merece e necessita´, ressaltou.

Ele acrescentou que, atualmente, a unidade registra uma média de 10 atendimentos por hora, cenário que contribui para filas, maior consumo de medicamentos, utilização de insumos e aumento do tempo de espera para pacientes que realmente necessitam de atendimento emergencial.

O dirigente também fez um apelo para que moradores de Lins utilizem prioritariamente as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e o Pronto Atendimento Intermediário (PAI) antes de recorrerem ao pronto-socorro da Santa Casa, reservando o hospital para situações que efetivamente caracterizem urgência ou emergência.

Segundo Beltani, a colaboração da população é fundamental para reduzir a sobrecarga da instituição e garantir maior agilidade no atendimento aos casos mais graves.

A Santa Casa informou que permanece aberta para dialogar com os municípios e espera que as pendências contratuais e financeiras sejam regularizadas, possibilitando a retomada integral dos atendimentos à população das cidades envolvidas.

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