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A dor da perda irreparável de um ente querido se transformou em uma corrente de solidariedade e vida na madrugada de domingo, 5. Após a constatação de morte encefálica, a família de Leonardo Antônio Vieira do Nascimento, de 27 anos, autorizou a doação de seu fígado, rins e córneas, procedimento realizado pela equipe da Santa Casa, que há quase dez anos atua como ponte entre o fim de uma história e o recomeço de várias outras.
Leonardo não resistiu aos graves ferimentos causados por um acidente de trânsito ocorrido no dia 27 de junho. Internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, ele teve a morte encefálica confirmada na quinta-feira, 2. Mantido por aparelhos que garantiam a ventilação mecânica, o jovem permaneceu sob cuidados até às 2h10 da madrugada de domingo, quando os equipamentos foram desligados para dar início ao protocolo de captação dos órgãos.
Segundo a direção da Santa Casa, uma equipe especializada de Marília, a 75 km de Lins, esteve no hospital para realizar a retirada do fígado, rins e córneas, que foram imediatamente transportados para serem transplantados em pacientes que aguardam na fila de espera. "Um único doador pode salvar e mudar completamente a história de várias vidas. É um gesto de coragem e altruísmo que multiplica a esperança”, destacou o hospital em nota.
Uma estrutura consolidada Desde 2017, este é o sexto procedimento de captação de órgãos realizado pela instituição, que conta com uma Comissão Intra Hospitalar de Captação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHOTT). Com a reestruturação de 2024, a equipe multidisciplinar, formada por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, vem atuando de forma contínua para acolher as famílias em luto e orientá-las sobre a importância da doação.
A importância de falar sobre a doação O caso de Leonardo reacende o alerta para a importância de se manifestar sobre o desejo de ser doador. Especialistas enfatizam que o diálogo em vida com os familiares é fundamental para que a vontade seja cumprida no momento da perda, pois, no Brasil, a autorização para a captação de órgãos parte exclusivamente dos parentes. "Converse com a sua família, expresse o seu desejo de ser um doador e faça parte dessa corrente de luz. A vida não para. Ela se multiplica", conclui a nota oficial divulgada pela Santa Casa de Lins sobre o procedimento.