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O delegado Vinicius Martinez, investigado pela morte da adolescente Katrina Bormio Silva Martins, de 16 anos, durante a Festa do Peão de Promissão, em agosto de 2024, foi exonerado do cargo ontem, dia 8. A decisão foi oficializada por despacho assinado pelo governador Tarcísio de Freitas no último dia 3, informa reportagem publicada originalmente pelo Giro Marília Notícias.
O caso teve grande repercussão em todo o Estado. Conforme consta no boletim de ocorrência (B.O.) e nas investigações conduzidas pela Corregedoria da Polícia Civil, Martinez efetuou disparos de arma de fogo durante uma intervenção em uma ocorrência envolvendo um homem que insistia em entrar no recinto da festa portando bebida alcoólica, prática proibida pela organização do evento.
Na ocasião, Katrina estava acompanhada de amigos e dos pais de colegas. A adolescente já havia deixado a festa e aguardava a chegada do pai que a levaria para casa, quando foi atingida por um dos disparos. Testemunhas relataram que outras pessoas conseguiram se afastar da confusão, mas a jovem acabou sendo atingida e não teve tempo de escapar.
Segundo a investigação, foram efetuados quatro disparos. Um dos tiros atingiu o pescoço da adolescente, que não resistiu aos ferimentos.
Após o episódio, Vinicius Martinez passou por audiência de custódia e teve a liberdade concedida mediante pagamento de fiança equivalente a cerca de 20 salários mínimos. Desde então, respondia ao processo em liberdade.
Vinícius Martinez ocupava até ontem o cargo de delegado de 3ª classe, em Ourinhos. Ele morava em Marília quando Katrina morreu. Hoje, reside em Assis. Antes do episódio em Promissão, o delegado havia trabalhado em Lins.
Defesa considera exoneração injusta
Em entrevista ao Portal AssisCity, o advogado Ernesto Nóbile, responsável pela defesa do delegado, afirmou que a exoneração foi injusta e sustentou que seu cliente agiu no estrito cumprimento do dever legal.
Segundo o defensor, Martinez tentava conter um homem que estaria em confronto com policiais militares durante o evento. “Ele deu voz de prisão para esse cidadão, que partiu para cima dele com agressão. Primeiro efetuou um disparo para o alto e, depois, um segundo disparo para tentar atingir a perna do indivíduo e imobilizá-lo. A bala bateu no chão, ricocheteou e atingiu uma menina de 16 anos que estava atrás”, declarou.
Nóbile afirmou ainda que não houve intenção de matar. “Ele não tinha intenção de matar. Não houve dolo. Foi uma fatalidade. Nenhum delegado de Polícia, em sã consciência, vai querer matar uma adolescente de 16 anos”, disse.
O advogado também criticou a decisão do governador. “No meu entendimento, o governador cedeu às pressões da família e das redes sociais. O processo ainda está em andamento no Fórum de Promissão e ele não teve nenhuma condenação criminal. Sob hipótese alguma um servidor concursado deveria ser exonerado antes do julgamento definitivo”, afirmou.
A defesa informou que estuda medidas judiciais para tentar reverter a decisão administrativa e buscar a reintegração do delegado aos quadros da Polícia Civil.
Júri Popular
A Justiça de Promissão já decidiu que Vinicius Martinez será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. A defesa recorreu da decisão ao Tribunal de Justiça de São Paulo.
Com a exoneração, o delegado perde imediatamente o vínculo com o serviço público estadual e fica impedido de prestar novo concurso público pelo prazo de dez anos.
Depoimento à Corregedoria
Durante depoimento prestado à Corregedoria da Polícia Civil, Martinez afirmou que interveio em uma ocorrência que inicialmente era atendida pela Polícia Militar por entender que tinha obrigação funcional de agir. “Entrei no meio, tomei a frente, saquei a arma. A ocorrência era dos policiais militares. Eu que entrei, chamei a responsabilidade para mim”, declarou.
O delegado também confirmou que não participou do socorro à adolescente, justificando que sequer percebeu que ela havia sido atingida. “Só fiquei sabendo mais tarde, quando um delegado me comunicou sobre a morte da menina. Na hora comecei a chorar e falei: não é possível”, relatou.
Ainda em seu depoimento, afirmou que o homem abordado apenas trocava ofensas verbais com os policiais. “Eu acabei inflamando a ocorrência. Ele estava só xingando e os policiais também. Não havia confronto físico”, disse.
Martinez declarou ainda que, após sua intervenção, o suspeito teria feito menção de estar armado. Posteriormente, segundo ele, descobriu que o homem fazia uso de medicamentos controlados e havia consumido bebida alcoólica. “Fiz o que fui treinado para fazer”, afirmou.
Homenagem à vítima
A morte de Katrina Bormio Silva Martins comoveu a população de Promissão e ganhou repercussão em toda a região. Em homenagem à adolescente, a arena de eventos da cidade passou a levar seu nome.