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População de Sabino reclama de nuvens de poeira do confinamento. Situada a apenas 1,4 km da cidade, instalação tem capacidade para engordar 22 mil cabeças - mais de 4 vezes o número de moradores de Sabino

no dia 13 de junho de 2026 às 12:52
Atualizada em 13 de junho de 2026 às 12:56
- fotografia: José Aparecido Cavalcanti

Por Lilian Caramel

Vários moradores de Sabino estão reclamando de nuvens de poeira e mau cheiro irritante vindo do confinamento MFG Agropecuária, empresa dos controladores da Marfrig. Conforme a comunidade, o problema vem se intensificando a cada ano no período seco. Neste ano, com a possibilidade de um El Niño extremo, conforme alertas do CEMADEN (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), as preocupações redobram pela cidade já que há probabilidade de aumento das ondas de calor.

A empresa começou a operar o confinamento arrendado da empresária Roberta Bertin, no ano passado, e se apresenta como o maior "boitel” do país. Os pecuaristas podem usar a estrutura como uma espécie de hotel, pagando uma diária pela engorda dos seus animais, além de contratar outros serviços. O plano anunciado é abastecer o abatedouro da multinacional, em Promissão, com o gado engordado no local. Com a expansão do ano passado, a Marfrig de Promissão atingiu capacidade para abater 3,5 mil cabeças por dia.

O corretor de imóveis José Benedito Machado, morador do Jardim Imperial, comenta que recentemente ficou com medo de dirigir na estrada que liga Lins a Sabino, na frente do confinamento. “Em maio, antes de chover, estava perigoso dirigir porque a estrada ficou coberta pelo poeirão. Não enxergava nada quando fui para a quermesse do Guapiranga", denuncia. Situado a apenas 1,4 km da cidade, o confinamento tem capacidade para engordar 22 mil cabeças - mais de 4 vezes o número de moradores de Sabino.

 De acordo com a comunidade, o poeirão vem do tráfego intenso de caminhões que transportam os animais e da sua própria movimentação pela fazenda. Já o mau cheiro, geralmente, é decorrente das fezes e urina. “Minha preocupação é com a época seca. A gente sabe que o empreendimento traz emprego, mas tem que cuidar da saúde da população também. Temos muitos idosos com problemas respiratórios por aqui, então, é importante que molhem sempre", solicita Sueli Ulian, que cuida do pai com enfisema pulmonar.  

 À reportagem, a empresa informou que “não identificou qualquer relação entre os episódios de odor mencionados e sua operação com os bovinos. Quanto à poeira, mantém medidas permanentes de controle e mitigação, como caminhões-pipa pelos arredores e equipamentos de irrigação em funcionamento, especialmente nos períodos de estiagem". A companhia informou, ainda, por meio de nota, que permanece à disposição dos sabinenses para prestar esclarecimentos pelo e-mail: contato@mfgagropecuaria.com.br.

 A MFG Agropecuária foi oficiada sobre o problema pela Câmara Municipal de Sabino no ano passado. Na ocasião, respondeu que estava providenciando um caminhão-pipa para funcionamento 24 horas nas vias de acesso e instalando um equipamento autopropelido do tipo "hidroroll” para umidificar as baias de confinamento quando necessário. “Conversei com um representante deles que disse que estão trazendo o equipamento da planta do Mato Grosso para resolver. Vamos aguardar a melhoria” disse o vereador Giorgi Bizzi.

 A reportagem também procurou o vereador Paulo Fernando Duenhas que declarou que a MFG responde aos requerimentos e sempre dá suporte quando há cobranças. Os vereadores Fernando Peres, João Carlos de Almeida e Ana Paula Rodrigues não responderam aos pedidos por entrevista. “Eles não estavam molhando. Então, o poeirão subiu e cobriu a rodovia David Eid, o que é perigoso. É muito caminhão que entra e sai todo dia porque eles trabalham com metas, produtividade, como uma multinacional faz. Não podem parar”, frisa José Aparecido Cavalcanti, vendedor de bebidas na balsa.

A poluição por odores é um problema recorrente entre os confinamentos brasileiros que já prejudicou outras cidades. Em Catanduva, no ano passado, os moradores precisaram fechar portas e janelas e tiveram que sair de casa por causa do mau cheiro vindo de um despejo de esterco inadequado por um boitel. Em Goiás, uma fazenda, no município de Santa Helena de Goiás, foi autuada pelo Ministério Público e obrigada a reduzir o número de cabeças por liminar judicial.  O mau cheiro pode causar problemas como náuseas, dores de cabeça e prejudicar, até mesmo, a saúde mental.

 

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