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Cilmar Machado

AMOR NA QUARENTENA ...

Cilmar Machado no dia 14 de abril de 2020 às 11:23
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André estava injuriado: ¨Pô, esse Dória não tem o que fazer? Mais quinze dias de quarentena? Pra quê, se quando voltarmos ao convívio social o tal coronavírus ainda estará circulando e poderá nos pegar de jeito? Então, de  que adiantará o confinamento que estamos cumprindo na marra? Ora, deixem-nos livres, senhor governador?¨ ...

            Mesmo com tais pensamentos, André procurava passar o tempo lendo, fazendo palavras cruzadas e zapeando na internet. O Facebook já não mais o atraia, pois era sempre a mesma coisa: posters com frases lindas, imagens maravilhosas, mas tudo muito frio, virtual. ¨Pô, estou com 62 anos e não tenho mais saco para mensagens previsíveis e repetitivas.¨, pensava ele, que continuou azedo e mal humorado por vários dias. André se sentia como estivesse em prisão domiciliar achando que para isso lhe faltava apenas a tornozeleira eletrônica. Esse seu quadro depressivo persistiu até quando recebeu um e-mail com uma intrigante mensagem: ¨E aí, gatão? Continua lindão, mesmo estando confinado! Sou alguém que gosta muito de você. Tenho chance? . Um abraço da Gata do Covid-19! ...¨ André leu o e-mail, riu e pensou: ¨Isso é arte de algum amigo que tá querendo me sacanear. Vou responder para ver até onde isso vai dar. ¨. E assim o fez ...

            Um, dois, dez e-mails depois, André mudou de ideia. Passou a observar uma linguagem elegante e sutil nas mensagens de sua suposta admiradora. Percebeu sinceridade e amor que só poderiam vir de uma mulher sensível, sincera e apaixonada. A Gata do Covid-19 manifestou desejo em vê-lo pessoalmente após a quarentena. A essa altura, André passou a se interessar mais por ela e a não sentir os dias passarem durante seu recolhimento obrigatório. Quando se deu conta, era a véspera de seu término. Um derradeiro e apaixonado e-mail foi por ele enviado à sua admiradora marcando um jantar no Choppão, um dia após sua alforria do confinamento, o que foi aceito imediatamente por ela que ainda acrescentou muitos emojis de coraçõezinhos.

            23 de abril, 20 horas. Sentado numa das mesas do restaurante, André não controlava a ansiedade. Marcara o encontro para as 20h30 e chegara meia hora antes. O relógio correu célere e nada de a Gata do Covid-19 aparecer. Às 20h50, André já pensava em desistir do encontro julgando ter caído numa maldosa trolagem. Foi quando viu surgir à sua frente a figura de uma bela mulher. Elegante, quarentona, de traços finos e sorriso largo e sincero. Assim era Luciene, que foi logo dizendo: ¨Olá, André?¨. Sou a Gata do Covid-19. Devo lhe dizer que fiz parte de um grupo de pessoas especialmente contratadas para entreter os confinados durante a quarentena, no intuito de levantar-lhes o moral, tornando seus dias mais felizes e menos monótonos e tristes.¨. André imediatamente contestou: ¨Então tudo o que você escreveu nos e-mails que trocamos era falso? . Luciene olhou seriamente para ele e disse: ¨Jamais. Eu já o admirava há muito tempo! Apenas aproveitei a oportunidade para me aproximar de você e dizer-lhe o que sinto e penso. Meu sentimento é puro e verdadeiro.¨

Aquele foi o melhor jantar que os dois tiveram em suas vidas. Se antes André esconjurava o Dória, naquele momento agradeceu a ele a imposição do confinamento que lhe trouxe  o amor de sua vida. Segurando uma das mãos de sua amada, pensou sorrindo: ¨Existe muita verdade quando o povo diz que há males que vêm para o Bem. ¨ ...

 

cilmarmachado@yahoo.com.br

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