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Cilmar Machado

O PÓS-QUARENTENA...

Cilmar Machado no dia 02 de junho de 2020 às 09:52

Já não era sem tempo! Finalmente, após dois meses e mais alguns dias, pude botar a cara para fora de casa e retornar ao trabalho. É bem verdade que, durante a quarentena, saí por inevitáveis três vezes tão somente. Mesmo assim, quando o fiz, veio-me um sentimento de culpa pela desobediência às determinações da OMS, parecendo sentir os olhares reprovadores do William Bonner e da Renata que durante toda quarentena encheram o noticiário do Jornal Nacional com severas determinações e reprimendas aos que ousassem burlar o confinamento obrigatório. Durante todo esse longo período só falaram do Covid-19 e meteram o pau no Bolsonaro. Portanto, não era de se estranhar que, ao retornar à rotina normal eu me sentisse ainda meio ressabiado. Não sei por que, mas veio-me à mente um momento histórico vivido no Brasil Colônia e que em muito se assemelhava à situação que passei a enfrentar desde a chamada segunda-feira da alforria. Refiro-me à Lei dos Sexagenários (1885) que concedeu liberdade aos escravos com idade igual ou superior aos 60 anos. Se naquela época os detratores eram os senhores do engenho e da lavoura, hoje o vilão passou a ser um mortal e microscópico vírus. Sinal dos tempos? Talvez ...

            Como em todo mal sempre há algo de bom, os dias em que passei confinado foram-me relativamente úteis e produtivos. Aprendi a trocar lâmpadas, consertar sifão de lavatório, lavar as louças após as refeições, cuidar mais atentamente das plantas, do cachorro e a varrer e lavar a calçada. A experiência prática que adquiri qualificaram-me ser um ótimo candidato aos serviços do Marido de Aluguel, a cujos profissionais eu sempre recorria antes da quarentena.

            Quanto ao lazer, nem lhe falo: Netflix, Telecine Play, Sky e Amazon filmes, foram meus companheiros diários. Vi e revi películas de todos os gêneros. Quando deles cansei parti para as palavras cruzadas, onde compus e matei inúmeros problemas nas revistas de A Recreativa. Não fiquei só nisso, não! Li exatos três livros de suspense e ação do meu escritor favorito, Harlan Coben.  E ainda arranjei tempo para escrever minhas crônicas às terças-feiras, neste periódico. Levei a sério o ditado popular que diz que o ócio é a forja do diabo ...

            Agora, firme no batente, agradeço e bendigo os dias em que passei em quarentena, pois me tornaram também mais voltado à família, mais agradecido e solidário para com os que trabalham na área da saúde que merecem toda nossa gratidão pelo empenho e dedicação em aliviar a dor dos infectados pelo cruel e implacável vírus. Oxalá a ciência nos dê logo uma resposta positiva quanto aos inúmeros experimentos em todo mundo na busca de uma salvadora vacina ...

 

cilmarmachado@yahoo.com.br

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