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Polícia Civil investiga garagista por suspeita de estelionato. Mais de dez ocorrências foram registradas por clientes que alegam terem sido lesados

no dia 16 de agosto de 2025 às 12:40
- Quando a polícia chegou o local estava fechado e, segundo informações, a empresa encerrou as atividades (foto: Emerson Secco)

A Polícia Civil de Lins instaurou inquérito para apurar supostos crimes de estelionato atribuídos ao garagista Rodrigo Ramos, de 46 anos, que mantinha a empresa Ramos Veículos em um imóvel alugado na avenida Nicolau Zarvos, 374, Jardim Aeroporto.

Até ontem, havia mais de dez boletins de ocorrência registrados contra o comerciante por clientes que relatam prejuízos financeiros.

Relatos de clientes

Em um dos casos, uma autônoma de 53 anos contou que adquiriu um automóvel em 2023, financiado pelo Banco Safra. Em novembro do mesmo ano, trocou o veículo e devolveu um Ford Fiesta à garagem, ainda com parcelas em aberto, mediante acordo de que ele não seria vendido até a quitação total do financiamento.

Segundo a vítima, desde junho de 2024 o garagista deixou de pagar as prestações, gerando um prejuízo de R$ 19 mil. Posteriormente, ela descobriu que o Fiesta havia sido vendido a outra pessoa, sem que a transferência fosse concluída, permanecendo o carro em seu nome.

Em outra ocorrência, uma cliente relatou ter adquirido, em 2023, um Hyundai Tucson GLSB por meio de financiamento no Banco Santander. Em dezembro de 2024, ela devolveu o veículo à garagem, também com parcelas em aberto e com a promessa de que não seria vendido antes da quitação. No entanto, segundo a vítima, os pagamentos cessaram a partir daquele mês, acumulando prejuízo de R$ 11.830,00. Ela afirma ainda que o Tucson foi revendido sem transferência de propriedade.

Um terceiro caso envolve a troca de um Toyota Corolla por um Ford Fiesta, em 2 de abril de 2025. O veículo pertencia a R.S., que tinha acordo semelhante com Rodrigo Ramos para não revender antes da quitação. Apenas duas parcelas foram pagas, e as cobranças continuaram em nome da antiga proprietária, L.T., que também afirma não ter conseguido regularizar a documentação.

Operação policial na loja

Na manhã de quinta-feira, 14, a Polícia Civil cumpriu ação no estabelecimento Ramos Veículos, alvo das investigações. O local estava fechado e, segundo informações, a empresa encerrou as atividades.

A operação contou com a presença do delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Lucas Piovesan, e do delegado coordenador da CPJ de Lins, Marcelo Cesar Muniz. O advogado do proprietário, dr. Paulo César da Cruz, autorizou a entrada dos policiais e a apreensão de documentos relacionados aos inquéritos que tramitam no 2º Cartório Criminal da CPJ (Central da Polícia Judiciária).

Durante a vistoria, foram encontrados dois veículos no interior da loja, ambos registrados em nome de terceiros e com pendências de financiamento. O delegado determinou o bloqueio das transferências junto ao Detran e à Polícia Civil. Também acompanhou a ação o advogado dr. Henrique Fernandez Neto, representante da proprietária do imóvel, que retomou a posse do prédio de forma amigável.

Posição da defesa

O advogado dr. Paulo César da Cruz informou, por telefone, que estava em audiências em Presidente Prudente e que se manifestará oportunamente sobre o caso.

O Jornal Debate mantém o espaço aberto para que o investigado apresente sua versão dos fatos.

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