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O Centro Paula Souza (CPS) afastou, na última quinta-feira, 19, o superintendente, a diretora de serviços e uma professora da Escola Técnica Estadual de Lins (Etec), em razão de investigação administrativa e criminal que apura o desvio de celulares doados pela Receita Federal do Brasil.
Conforme publicação no Diário Oficial do Estado, datada do dia 18, foram suspensos por 180 dias — sem prejuízo de salários e demais vantagens — o superintendente Carlos César de Souza, a diretora de serviços Diana Yumi Tanaka Hagui e a professora Estefania Oshiro Miyazato.
Além dos afastamentos, Tatiana Goduto Nobre Giacomini e Ana Beatriz Fernandes Braga Martins foram exoneradas de cargos de confiança.
Investigação
As medidas foram adotadas após mais de um mês de apurações. A investigação teve início na primeira quinzena de janeiro de 2026, após denúncias de que smartphones destinados à unidade estariam sendo comercializados irregularmente em sete cidades do interior paulista.
A Polícia Civil do Estado de São Paulo já recuperou 68 aparelhos durante operação realizada nos municípios de Lins, Promissão, José Bonifácio, Mirassol, Ubarana, São José do Rio Preto e Lourdes.
O maior número de apreensões ocorreu em Ubarana, onde 27 celulares foram localizados em uma loja. O proprietário foi preso em flagrante por receptação qualificada. No dia seguinte, outros 10 aparelhos foram recuperados em São José do Rio Preto.
Doação e apuração
Segundo a Polícia Civil, a Receita Federal havia doado 150 celulares à Etec de Lins. Embora um funcionário da escola tenha assinado a retirada dos produtos, as autoridades apuram se os aparelhos chegaram a ingressar fisicamente na unidade antes de serem desviados para o comércio.
A Polícia continua trabalhando para identificar o grau de envolvimento de cada investigado e apurar as responsabilidades criminais.
Nota oficial
À época da descoberta do caso, o Centro Paula Souza informou, por meio de nota enviada ao Debate, que a Etec de Lins colaborava com as investigações para esclarecer a apreensão de celulares em Ubarana. Segundo a instituição, os aparelhos doados auxiliariam os alunos nas atividades acadêmicas e, conforme a necessidade, também dariam suporte às atividades de professores e servidores.
Extraoficialmente, a reportagem apurou que os aparelhos teriam sido vendidos com a finalidade de arrecadar recursos para melhorias na escola. A informação, contudo, não foi confirmada oficialmente.