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A Polícia Civil realizou na manhã de quinta-feira, 19, a reconstituição da morte de Beatriz Calegari de Paula, 26 anos, ocorrida no dia 18 de janeiro, em uma casa de lazer no bairro Manuel Scalfi, em Lins. O caso, tratado como homicídio, que completa dois meses, segue cercado de mistério e mobiliza a Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
Grazielli de Barros Silva, de 40 anos, que está presa temporariamente, é suspeita pela morte da jovem. Porém, ela sustenta que a vítima sofreu um choque elétrico. No entanto, o exame necroscópico apontou afogamento como causa da morte.
De acordo com o delegado titular da DIG, Lucas Piovesan, a reconstituição foi solicitada para esclarecer divergências entre a versão apresentada por Grazielli e os elementos técnicos já apurados. “Foi uma diligência importante para reproduzir o passo a passo daquele dia e verificar se as versões apresentadas são compatíveis com as provas já produzidas”, afirmou.
Reprodução dos fatos
Para a reconstituição, a Polícia Civil solicitou à penitenciária a apresentação da investigada, além de convocar o outro rapaz que estava na casa de lazer no dia dos fatos. A defesa acompanhou os trabalhos e participou ativamente da diligência.
Segundo o delegado, a investigada colaborou durante a reprodução da cena e manteve a versão de que a morte teria sido causada por choque elétrico — hipótese descartada pela perícia oficial.
“O laudo necroscópico é claro ao apontar afogamento como causa da morte. A tese de choque elétrico não se sustenta tecnicamente”, ressaltou Piovesan.
A piscina onde ocorreu o fato é considerada de pequeno porte, com cerca de três metros de comprimento e aproximadamente 1,20 metro de profundidade. A Polícia também apura as circunstâncias em que o corpo foi encontrado fora da piscina, ponto considerado relevante na investigação.
Dinâmica do encontro
Inicialmente, havia a informação de que o local teria sido alugado para uma festa. A investigação confirmou que não se tratava de um evento de grandes proporções. No dia, estavam apenas as duas mulheres e um rapaz que, posteriormente, deixou o local para trabalhar. Outras pessoas chegaram a ser convidadas, mas não compareceram.
Beatriz e Grazielli trabalhavam juntas em um supermercado e já haviam frequentado a área de lazer anteriormente.
Laudos pendentes e prisão
Ainda é aguardado o laudo do exame toxicológico, realizado em São Paulo. Segundo o delegado, o prazo é considerado normal devido à complexidade dos exames laboratoriais.
Imagens de câmeras de segurança também foram analisadas, incluindo registros da frente da área de lazer e câmeras municipais que mostram o trajeto percorrido até o Corpo de Bombeiros, onde Grazielli foi solicitar socorro.
O inquérito policial está, segundo a autoridade, cerca de 70% concluído. Restam a juntada dos laudos pendentes, o resultado técnico da reconstituição e a oitiva de eventuais testemunhas indicadas pela defesa.
A prisão temporária de Grazielli vence na próxima semana, por volta do dia 25. A Polícia avalia se pedirá a prorrogação da medida.
O delegado classificou o caso como “emblemático”, destacando que a investigação prossegue com cautela e busca reunir o máximo de elementos probatórios para esclarecer definitivamente as circunstâncias da morte.