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Polícia Civil faz a reconstituição no caso ‘Casa de Lazer’. Segundo delegado, inquérito está 70% concluído

no dia 21 de fevereiro de 2026 às 12:17
- Dr. Lucas Piovesan conversa com o Perito antes de iniciar a reconstituição (foto: Emerson Secco)

A Polícia Civil realizou na manhã de quinta-feira, 19, a reconstituição da morte de Beatriz Calegari de Paula, 26 anos, ocorrida no dia 18 de janeiro, em uma casa de lazer no bairro Manuel Scalfi, em Lins. O caso, tratado como homicídio, que completa dois meses, segue cercado de mistério e mobiliza a Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

Grazielli de Barros Silva, de 40 anos, que está presa temporariamente, é suspeita pela morte da jovem. Porém, ela sustenta que a vítima sofreu um choque elétrico. No entanto, o exame necroscópico apontou afogamento como causa da morte.

De acordo com o delegado titular da DIG, Lucas Piovesan, a reconstituição foi solicitada para esclarecer divergências entre a versão apresentada por Grazielli e os elementos técnicos já apurados. “Foi uma diligência importante para reproduzir o passo a passo daquele dia e verificar se as versões apresentadas são compatíveis com as provas já produzidas”, afirmou.

Reprodução dos fatos

Para a reconstituição, a Polícia Civil solicitou à penitenciária a apresentação da investigada, além de convocar o outro rapaz que estava na casa de lazer no dia dos fatos. A defesa acompanhou os trabalhos e participou ativamente da diligência.

Segundo o delegado, a investigada colaborou durante a reprodução da cena e manteve a versão de que a morte teria sido causada por choque elétrico — hipótese descartada pela perícia oficial.

“O laudo necroscópico é claro ao apontar afogamento como causa da morte. A tese de choque elétrico não se sustenta tecnicamente”, ressaltou Piovesan.

A piscina onde ocorreu o fato é considerada de pequeno porte, com cerca de três metros de comprimento e aproximadamente 1,20 metro de profundidade. A Polícia também apura as circunstâncias em que o corpo foi encontrado fora da piscina, ponto considerado relevante na investigação.

Dinâmica do encontro

Inicialmente, havia a informação de que o local teria sido alugado para uma festa. A investigação confirmou que não se tratava de um evento de grandes proporções. No dia, estavam apenas as duas mulheres e um rapaz que, posteriormente, deixou o local para trabalhar. Outras pessoas chegaram a ser convidadas, mas não compareceram.

Beatriz e Grazielli trabalhavam juntas em um supermercado e já haviam frequentado a área de lazer anteriormente.

Laudos pendentes e prisão

Ainda é aguardado o laudo do exame toxicológico, realizado em São Paulo. Segundo o delegado, o prazo é considerado normal devido à complexidade dos exames laboratoriais.

Imagens de câmeras de segurança também foram analisadas, incluindo registros da frente da área de lazer e câmeras municipais que mostram o trajeto percorrido até o Corpo de Bombeiros, onde Grazielli foi solicitar socorro.

O inquérito policial está, segundo a autoridade, cerca de 70% concluído. Restam a juntada dos laudos pendentes, o resultado técnico da reconstituição e a oitiva de eventuais testemunhas indicadas pela defesa.

A prisão temporária de Grazielli vence na próxima semana, por volta do dia 25. A Polícia avalia se pedirá a prorrogação da medida.

O delegado classificou o caso como “emblemático”, destacando que a investigação prossegue com cautela e busca reunir o máximo de elementos probatórios para esclarecer definitivamente as circunstâncias da morte.

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