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Golpe do FGTS: analista de sistemas perde R$ 42 mil após falsa oferta de saque antecipado

no dia 02 de abril de 2026 às 16:47
Atualizada em 02 de abril de 2026 às 16:57
- Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Um golpe sofisticado que usa o nome da Caixa Econômica Federal e o aplicativo do FGTS deixou um analista de sistemas de 27 anos com uma dívida superior a R$ 42 mil. O caso foi registrado na Polícia Civil de Lins no último dia 31 de março e revela como criminosos estão manipulando os próprios benefícios dos cidadãos para contratar empréstimos fraudulentos.

Segundo o boletim de ocorrência (B.O.), a vítima recebeu uma ligação por vídeo via WhatsApp de uma mulher que se identificou como Bruna Flávia, suposta representante da Caixa, no dia 26 de maio de 2025. Ela ofereceu a antecipação do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), um serviço comum do banco, mas que foi usado como isca para aplicar o golpe.

Interessado na proposta, o analista seguiu as orientações da falsa funcionária. Ele acessou o aplicativo do FGTS e realizou diversas operações sob o comando dela. Minutos depois, recebeu um crédito via Pix no valor de R$ 14.554,19, proveniente de uma empresa identificada como BMP Money. A criminosa afirmou que se tratava do dinheiro do FGTS antecipado.

Apenas no dia 1º de março, ao consultar o extrato do FGTS, a vítima percebeu um desconto não solicitado de R$ 5.420,86. Mais alarmante ainda: o sistema indicava que novos descontos seriam realizados mensalmente, sempre no dia do seu aniversário, até o ano de 2035. Ao somar todas as parcelas, o prejuízo projetado chega a R$ 42.401,48.

Na realidade, foi contratado um empréstimo (com juros desproporcionais) em nome da vítima junto à BMP Sociedade de Crédito Direto S.A., uma instituição financeira parceira de bancos para operações de crédito consignado. Os valores recebidos via Pix correspondiam ao montante liberado pelo empréstimo, enquanto os descontos automáticos seriam as parcelas do financiamento – totalmente desconhecido pelo analista.

O golpe evidencia um método criminoso em que os estelionatários usam vídeochamada para induzir a pessoa a autorizar, dentro do aplicativo do FGTS, a contratação de um empréstimo consignado por meio de instituições credenciadas. Como o processo utiliza o reconhecimento facial e dados biométricos do próprio aplicativo, a vítima acredita que está apenas validando uma operação legítima do FGTS.

A Polícia Civil orienta que nenhum funcionário da Caixa ou de qualquer banco solicita que o cliente realize operações bancárias durante ligações de vídeo ou WhatsApp. Qualquer oferta de saque antecipado do FGTS deve ser verificada exclusivamente pelos canais oficiais do banco.

O analista registrou a ocorrência para tentar suspender os descontos junto à Caixa Econômica Federal e responsabilizar os envolvidos. O caso segue sob investigação.

 

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