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Dedicação que atravessa gerações na saúde. ‘Eu tinha um sonho de tocar para Jesus. Eu falei: não posso morrer sem realizar isso’, conta Benê, que aprendeu violão aos 60 anos

no dia 23 de abril de 2026 às 12:36
Atualizada em 23 de abril de 2026 às 12:42
- Atualmente, Benê segue trabalhando na UBS do Ribeiro e também auxilia em consultório médico (foto: Divulgação)

Aos 67 anos, Benedita Ramos Solfa (Benê) carrega uma trajetória marcada pelo cuidado ao próximo e compromisso com a saúde pública de Lins. Viúva há seis anos, após perder o marido para a Covid-19, ela é mãe de dois filhos e tem ainda um “filho do coração”, construindo uma história que vai além da profissão.

A vocação começou cedo. Aos 15 anos, Benedita já cuidava de uma paciente em uma residência, experiência que despertou o interesse pela saúde. Determinada a crescer profissionalmente, buscou formação como auxiliar de enfermagem e, posteriormente, se especializou como técnica em enfermagem.

Sua longa jornada na Santa Casa teve início aos 20 anos e se estendeu por mais de quatro décadas, até os 62. “A Santa Casa foi minha escola”, resume. Foi ali que consolidou sua prática, atuando principalmente na ortopedia e no pronto-socorro.

Mesmo após deixar o hospital, Benedita não se afastou da profissão. Atualmente, segue atuando na UBS do Ribeiro e também auxilia em consultório médico, mantendo uma rotina intensa e dedicada.

Reconhecida pela população, ela se tornou referência no atendimento humanizado. Muitos pacientes a procuram diretamente, confiando em sua experiência e acolhimento. “O que mais ajuda é a conversa e a paciência. O ser humano precisa ser ouvido”, destaca.

Além da dedicação à saúde, Benedita realizou um sonho pessoal já na maturidade. Após os 60 anos, decidiu aprender música e hoje toca em celebrações nas igrejas de São José e Nossa Senhora Aparecida. Além do repertório religioso, aprecia canções de artistas como Renato Teixeira, Tonico e Tinoco e Tião Carreiro. Agora, tem como novo propósito levar sua música a idosos, com planos de se apresentar em asilos e no Centro Dia do Idoso (CDI), ampliando ainda mais seu cuidado e acolhimento por meio da música.

“Eu tinha um sonho de tocar para Jesus. Eu falei: não posso morrer sem realizar isso. Eu casei com esse sonho”, conta. Para ela, a música é uma forma de devoção e entrega. “Eu vejo Jesus como um pai que abre o portão e espera o filho. Eu me sinto assim, chegando no céu e Deus vindo de braços abertos para me receber. E eu vou dizer pra Ele: eu toquei para o Senhor.”

Ao longo dos anos, acumulou histórias marcantes na profissão, mas leva como princípio a empatia. “Eu trato bem porque sei que um dia também vou precisar. É uma forma de retribuir”, afirma.

Orgulhosa de suas raízes, Benedita se declara uma linense apaixonada. “É um orgulho viver e trabalhar aqui. A gente conhece as pessoas, cria laços e faz parte da história da cidade.”

Com mais de 40 anos dedicados à saúde e um sonho realizado na música, Benedita Ramos Solfa é exemplo de fé, dedicação e amor ao próximo — uma daquelas pessoas que fazem Lins acontecer todos os dias.

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