publicidade
Tem profissão que a gente nem vê mais direito. Frentista de verdade, daqueles que abrem o capô, perguntam do óleo, lavam o para-brisa e dão bom dia com um sorriso. Esse é Roberto Carlos Silvério, o Marrom. 58 anos, 37 deles vividos atrás de uma bomba de combustível. E ele não troca esse trabalho por nada. “A maior paixão minha é ser frentista. Até hoje, até o final, vamos trabalhar até quando dá.”
Marrom começou na roça, tirando leite de vaca. Foi em 1989 que um amigo o chamou para trabalhar no Autoposto Nipon, do seu Mário. “Ali começou a carreira de frentista”, resume, como quem fala de um amor.
Dali foi para o Autoposto Autadei, onde ficou até 1998. Depois, migrou para o Autoposto Petrolins, de 1998 até 2021. Hoje, está no Autoposto Lins. Uma vida inteira entre mangueiras e tanques.
Em quase quatro décadas, Marrom viu de tudo. Começou na época da bomba de manivela — “pegava tudo na manivela” — e acompanhou a chegada das bombas elétricas e eletrônicas. “Teve muita melhoria. Vixe, melhorou bem mesmo.” Mas o que não mudou foi o jeito dele atender.
O frentista que completa o tanque.
Marrom carrega uma tradição que está sumindo: a de oferecer mais do que o mínimo. Ele conta como é seu ritual. “Chegou uma pessoa para abastecer: bom dia, boa tarde primeiro. Completar o tanque, sempre completar o tanque. Nunca oferecer menos do que completar o tanque. E oferecer os serviços: água, óleo, calibrar os pneus, lavar o retrovisor, vidro. Sempre em atividade.”
A relação com o cliente, diz ele, é excelente. “Eu trato bem, ele trata bem, sempre com respeito um com o outro. É ótimo, ótimo, ótimo.”
Paixão por Lins e pela família
Marrom é linense de berço. Nasceu aqui, filho de pai e mãe da cidade. E não se vê vivendo em outro lugar. “Rapaz, é a paixão nossa. Viver sem Lins não dá. Sempre em Lins. Nasci aqui, morri aqui.”
Casado há 35 anos com Adriana Guedes, tem dois filhos — João Vitor e Sueli — e quatro netos. A família, ele conta, está ao seu lado desde o começo da jornada.
Um personagem que faz Lins acontecer
Enquanto muitos postos trocam frentistas por autoatendimento, Marrom continua ali, firme, com o sorriso no rosto e a simpatia de sempre. Ele sabe que um dia vai parar — “vamos parando já também” —, mas não sem antes atender cada cliente como se fosse o primeiro. “Sempre em atividade, atendendo o público com amor, com carinho.”
Marrom é daqueles que fazem a cidade girar, gota por gota, tanque por tanque, e merece estar na história dos 106 anos.